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Os azulejos do Palácio Topkapi

Mandado construir em 1461 pelo sultão Mehmed II, após a conquista de Constantinopla em 1453, o Palácio Topkapi, situado no alto de uma colina, com vista para o Estreito do Bósforo, é o símbolo da grandiosidade e da opulência do Império Otomano. Depois de ter sido, durante mais de quatro séculos (até 1856). o Centro o Administrativo do Império e a residência privada de várias gerações da família imperial, é hoje um dos monumentos mais importantes e um dos museus mais visitados da cidade de Istambul. Embora a sua estrutura arquitectónica tenha sido alterada ao longo dos tempos, os revestimentos cerâmicos que decoram as centenas de salas que compõem o edifício actual, permanecem, na sua grande maioria, inalterados e  encontram-se entre os exemplares mais requintados da arte islâmica.

O início da produção destes azulejos remonta ao século X, tendo-se prolongado por vários séculos. Em 1453, após a conquista do poder, os Otomanos vão pretender dar um novo prestígio ao centro político e cultural da capital do império, nomeadamente através da construção de novos palácios, cuja decoração vai exigir um acréscimo da produção cerâmica. Em 1585, um decreto do sultão Mehmet II exige que toda a produção cerâmica de Iznik seja destinada ao palácio Topkapi.

Assim que entramos, ficamos literalmente ofuscados pela intensidade dos reflexos provenientes da luz filtrada pelos vitrais e reflectida pelos azulejos multicolores  que recobrem grande parte das paredes. Sala após sala, os vários matizes de azul- cobalto, azul-turquesa, verde-esmeralda, amarelo e vermelho, transportam-nos no tempo para um ambiente de Mil e Uma Noites. Os motivos decorativos combinam padrões geométricos, elementos vegetalistas estilizados, arabescos intrincados, caligrafia inspirada em versos do Alcorão e são testemunho das intensas trocas culturais e artísticas que influenciaram o Império Otomano.

Isabel Almasqué
Setembro, 2023

Galeria de Imagens

Fotos de Minnie Freudenthal e Manuel Rosário

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Escrito por

Isabel Almasqué, Médica oftalmologista. Ex-Chefe de Serviço de Oftalmologia do Hospital dos Capuchos. Ex-Secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia. Co-autora de vários livros sobre azulejaria portuguesa.

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Últimos Comentários
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    Há uma colecção Iznik rara de beleza, no museu da Fundação Gulbenkian, espero que não se partam, com as obras…
    Um belo texto aqui, com as fotos da Minnie e do Manuel, na Turquia. A Arte e a cultura, sempre,,,