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A INFLAÇÃO (Uma interpretação especulativa)

GLOSSÁRIO

Nominal é o número que distingue um preço de outro preço.

Real é o ajustamento do nominal em relação à inflação, dando uma ideia realista do poder de compra em questão.

O Rendimento Disponível duma família é o que sobra todos os meses, depois de pagar Impostos directos e despesas fixas (renda de casa, comida, água e electricidade, prestação do carro, colégio dos miúdos, etc).

Monopólio é um mercado em que há apenas um vendedor para muitos compradores.

Monopsónio é quando há apenas um comprador para muitos vendedores (uma fábrica que seja a única fonte de emprego numa aldeola isolada)


Em tempos de Inflação, temos que distinguir valor Nominal do valor Real. Assim, uma Taxa de Juro nominal de 8% parece ser elevada, se ignorarmos ser a Inflação 6%. Neste caso a Taxa de Juro Real será de 2%, muito mais razoável do que os 8% nominais supracitados.

A inflação pode começar por um aumento grande dos preços do petróleo e produtos derivados. Duma maneira geral, do ponto de vista do consumidor, gastar o dinheiro em gasolina sem qualquer aumento do rendimento disponível,  leva a uma diminuição do consumo de bens não relacionados com o petróleo, mas dada a ubiquidade dos primeiros no cesto de consumo, os preços em geral aumentam.

Mas duma maneira desigual.

Se o meu salário aumentar 4% ao ano, e a Inflação de Bens e Serviços for de 7%, todos os anos empobreço 3% em termos Reais. Debaixo da Inflação tudo aumenta nominalmente, Bens e Serviços, Salários Ordenados e Pensões. Mas invariavelmente, Bens e Serviços aumentam nominalmente mais do que Salários, Ordenados e Pensões. Consequentemente os lucros dos vendedores de Bens e Serviços sobem a níveis estratosféricos. E como no produto final, em que os custos recentes de produção estão incluídos nos preços de venda, as receitas são nominal e realmente aumentadas pela inflação dominante.

Mas com Salários, Ordenados e Pensões a subir menos que a inflação, a Procura Real Agregada diminui. O que quer dizer Recessão e Desemprego, apesar dos preços inflacionados vigentes.

É a Estagflação.

A Inflação desalavanca as dívidas acumuladas, públicas e privadas.

Imaginemos que é também provavelmente alimentada pelo Banco Central, que finge nada ter a ver com o assunto, exibindo o estafado aumento das taxas de juro como solução. Uma charada de proporções homéricas. Sendo o Governo o agente económico mais importante nos EUA, com um imenso poder monopsónico sobre Salários e Procura Agregada (dezenas de milhões de funcionários públicos, soldados, bombeiros,etc) e sobre Bens e Serviços (petróleo,matérias primas,etc), poderia o mesmo Governo controlar a subida de preços com facilidade. Mas a  Estagflação (Recessão e Inflação) é muito conveniente para garantir o perpetuar da desigualdade, com o enriquecimento das classes financeiras e empresariais, que acumulam lucros enormes, sem terem desta vez que recorrer a dívidas.

Mas a Estagnação, mais cedo ou mais tarde dominará a economia, com a Inflação inamovível e de vento em popa.

Até a oferta agregada colapsar for falta de procura.

E lá vai a curva de Phillips para o caixote das irrelevâncias (diz a curva que o pleno emprego é fundamental para a permanência de preços nominais elevados, sendo o desemprego um factor deflacionário)

Durante a hiperinflação alemã do início dos anos vinte, a desvalorização do marco nos mercados de câmbio europeus foi maior do que a desvalorização do mesmo a nível do mercado interno, com os preços a subirem continuamente. Isso favoreceu as exportações alemãs. A procura vinda do estrangeiro, estimulou a produção de bens e serviços na Alemanha, sendo a taxa de desemprego baixíssima. E a enorme massa circulante de papel moeda, transportada em carretas como se vêem nas fotos antigas, é o resultado e não a causa da inflação dominante. Na realidade, para responder às trocas com valores nominais gigantescos de tudo que estava à venda na altura, havia uma carestia de notas e moedas como meio de troca.

E lá vai também a teoria da Quantidade de Dinheiro para o caixote das irrelevâncias (o aumento da massa circulante de dinheiro foi o resultado e não a causa do aumento dos preços).

Meti soalhos novos e comprei uma máquina de lavar lá para casa, para me livrar do dinheiro no banco (é o fenómeno da moeda quente), como reformado o meu futuro é sombrio. Vou cortar nas despesas, (contribuindo assim para uma quebra na procura agregada).

E quanto aos enormes proventos do mundo empresarial, cedo começarão a aparecer no tradicional esquema de Ponzi que são as bolsas de valores. E as dívidas recomeçarão a crescer.

E tudo voltará ao princípio com as dívidas escamoteadas, anuladas, e reformuladas. A fresh start.

Vou comprar coisas…

 

José Luís Vaz Carneiro

Tucson,  Novembro 2022

Fotos de Manuel Rosário

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Escrito por

Médico Hospitalar (EUA)

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