De A a Z, tudo se pode fazer DE OUTRA MANEIRA...

Tinha chovido torrencialmente todo o dia, agora era a acalmia de uma noite de Verão africana. Sentada à porta de um pequeno barracão que funcionava como messe de oficiais, eu entretinha-me a olhar o céu, beber cerveja e comer amendoins, servida pelo soldado que era o criado de mesa. Tinha passado a tarde a ler no quarto, e o espectáculo daquela noite era redentor. Ao olhar aquele céu, esquecia-me que vivia dentro de arame farpado. Que havia guerra a poucos quilómetros. Que há oito noites atrás tinham caído “morteiros oitenta e um” dentro da companhia. Que tinha morrido um soldado que descansadamente ouvia radio na sua hora de descanso, deitado na camarata. Que a cinco minutos de jeep dali, havia uma aldeia que visitávamos em passeio ao fim do dia, onde as crianças à porta das tabancas mostravam as suas barrigas inchadas de fome, só alimentadas por uma tigela de arroz por dia. O Matos, o soldado, entretinha-se a servir-me, pois não havia mais nada para fazer.

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O meu cão

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Tostão e Possum

Durante mais do que 16 anos tive a felicidade de viver com um cão e meio – isto em termos de “titularidade”: o Tostão e a Possum. O Tostão era inteiramente meu. O nome dele continha uma referência escondida: devendo os nomes próprios dos chineses ser dotados de um bom significado, há pessoas inspiradas que chamam ao seu cão algo como “trazer riqueza”, na mesma lógica de chamar a uma filha indesejada “trazer irmão”. Assim, de cada vez que o cão vier, e ele vem sempre quando for chamado, trará um pouco mais de riqueza—no meu caso mais um tostão. A Possum, irmã do Tostão, pertencia a uma amiga que tinha sido a dona da avó deles. Como tivemos pena de separar os dois cachorrinhos, combinámos um esquema: os dois ficariam sempre juntos, metade do tempo em cada casa. Desta forma, as duas donas ficariam livres deles metade do tempo também! Não era que não gostássemos da companhia deles, pelo contrário. Mas assim podíamos fazer as nossas vidas e mexer….

Monica Chan


SUGESTÕES

Elliot Ross was born in Chicago. He received a Master of Fine Arts degree  and Bachelor of Fine Arts degree from the San Francisco Art Institute in 1971.  His project “Animal” was featured in fotoMAGAZIN (Germany) in 2008 as part of its “Meisterwerke der Fotografie” series, in Foto & Video (Russia) in 2012, as well as in other publications, and was a finalist for a New York Photo Award in 2009.

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Colóquio
Nos dias 17 e 18 de Abril vai ter lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Nova), na Avenida de Berna, em Lisboa, o Colóquio «Lembrar-me-ei desta noite nem que viva mil anos». Ritmos, Vivências e percepções da noite na Idade Moderna.
Ana Marques Pereira irá falar no dia 18 sobre «Medianoche e outras refeições nocturnas».
A entrada é livre e o evento, com um programa muito interessante, terá lugar no Auditório 1, Torre B.

Autores

Minnie FreudenthalIsabel AlmasquéAntónio Barros VelosoJoão Pina CabralYvette CentenoEliane PerinJosé Luis Vaz CarneiroCristina GonçalvesRui Barreto